Eu havia firmado um compromisso de trabalho numa manhã de sábado, em outubro de 2022. Embora tivesse acordado já com sintomas de uma possível cistite, resolvi não desmarcar. Fui, levei minha filha pois meu esposo também precisou trabalhar naquele sábado, realizei as fotos e tão logo cheguei em casa me dirigi a emergência do hospital mais próximo de onde moro. Acredito que minha pressão já deveria estar bem baixa, pedi minha filha de 11 anos para não largar minha mão por nada. Meu esposo chegou, fui atendida e voltei para casa com a prescrição de antibiótico e sugestão médica para procurar um urologista. Em casa, a fadiga nas pernas não me deram sossego. Tive mal estar, vômito e levada para outra emergência, onde me recordo de algumas cenas somente.
Depois disso foram 12 dias de coma, complicações como pneumonia, septicemia, trombose, intubação, traqueostomia, uso de sonda nasal, nasogástrica, sem os movimentos do corpo, quando respondia apenas com o piscar dos olhos.
Meu esposo percebeu que era preciso contratar um médico por fora, pois o do CTI do hospital onde estava internada não respondia em tempo as demandas necessárias do meu caso. Com a ajuda do neurologista, Guilherme Torezanni, e do grupo de amigos que acompanhavam meu caso através de uma lista de transmissão, tivemos ajuda de todo tipo. Uma incrível corrente de amor. E pela graça de Deus, voltei a respirar sem aparelho, a me alimentar, beber água, mexer as mãos, braços, pernas, sentar, escrever, andar, subir escadas e hoje até me atrevo a dançar (de um novo jeito). Dia 16 de outubro de 2022 fui internada e no dia 23 de dezembro de 2022 recebi alta, consciente do diagnóstico e dos gigantes que venho vencendo a cada dia. A parte urológica e intestinal colheram as maiores sequelas. Mas estou viva vendo minha filha crescer, segurando as mãos do meu esposo e filha. Aprendi que seja qual for a crença a maior certeza que temos é do amor. Essa força que pode tanto. E que tanto precisamos.