Em 2020, senti dormência nas pernas e fraqueza, sem conseguir andar. Fui ao pronto-socorro de Guaçuí, referência da minha cidade, a médica me disse que era ansiedade e recomendou que eu procurasse um psiquiatra. Algumas horas depois, recuperei os movimentos. Em 2021, engravidei da minha filha. Após a cesárea, tudo parecia bem, mas 45 dias depois, voltei ao hospital com um coágulo no abdômen. O médico explicou que um vaso sanguíneo não havia cicatrizado corretamente e precisei de uma drenagem. Antes disso, já sentia dormência nas pernas e braços, além de fraqueza na perna direita, que me fazia mancar. Após a drenagem, fui para casa, mas meu quadro piorou. Perdi os movimentos e tive dificuldades para evacuar e urinar. Retornei ao hospital, mas os médicos não descobriram a causa. Assinei um termo de responsabilidade e voltei para casa em uma cadeira de rodas. Sem respostas, comecei a pesquisar exercícios de fisioterapia e, com esforço, recuperei gradualmente os movimentos. Com o tempo e fisioterapia profissional, reaprendi a andar. Então enfrentei um novo desafio: a neurite óptica no olho esquerdo. Assistindo TV, minha visão escureceu até restar apenas um foco de luz branca. O oftalmologista diagnosticou inflamação no nervo óptico e me encaminhou para um neurologista. Fui internada e tratada com corticóides. Após semanas de medicação, recuperei a visão, restando apenas uma atrofia no nervo óptico, visível apenas em exames. Após consultar vários neurologistas e hospitais, encontrei a equipe do HUCAM. Após exames detalhados, suspeitaram de Neuromielite Óptica (NMO). O exame de aquaporina 4 confirmou o diagnóstico. Atualmente, sigo tratamento com azatioprina e prednisona. Minha oftalmologista ,e a neurologista disseram que a maioria dos pacientes com neurite óptica severa perde a visão ou fica com sequelas graves. Mas recuperei a visão e voltei a andar. Nos momentos mais difíceis, olhava para minha bebê chorando e pedia a Deus mais tempo para cuidar dela. Ele me ouviu. Eu acredito em milagres!